25/10/2010

O colchão do ar

Jornal do Brasil
Glide Slope - O colchão do ar
Enviado por: marceloambrosio

Tem muita gente querendo inventar uma maneira de derrubar uma das mais elementares Leis da Física, a que impede dois corpos de ocuparem o mesmo espaço. Michael O´Leary, da Ryan Air, virou personagem aqui da coluna por ser justamente um dos que mais buscam maneiras de transformar a experiência de uma viagem de avião em algo inesquecível pelo pior dos motivos. Quando alguns malucos sugeriram a possibilidade de se transportar pessoas em assentos quase em pé, o irlandês foi o primeiro a aplaudir a medida. Felizmente, por enquanto, a ideia de voarmos em trajetos pequenos ligeiramente apoiados em assentos quase verticais ainda não passou das pranchetas de quem os criou - e que provavelmente não precisa usar aviões nos seus deslocamentos.

Para nossa sorte, no entanto, há quem trafegue em outra via, procurando soluções inteligentes e criativas que agradem tanto ao passageiro quanto aos cofres da companhia. Uma delas descobri esta semana, e vem lá do outro lado do mundo. A Air New Zealand desenvolveu especialmente para seus aviões um novo padrão de poltrona da classe econômica que, se trouxerem para cá, vai dar muito o que falar. Os Skychouches - “colchões do ar” em tradução livre - são na verdade um tipo de poltrona, ou melhor de uma fileira de três unidades delas, que o passageiro pode transformar em uma cama. A parte do assento possui uma extensão que, aberta, elimina o espaço para as pernas entre as cadeiras.

Como a expertise da Air New Zealand, por sua essência, é a dos voos transcontinentais - a estreia está programada para um voo entre Auckland e Los Angeles no mês que vem - a ideia justamente foi a de oferecer aos passageiros a opção de viajarem deitados em uma cama de verdade, criando uma opção intermediária entre a econômica e a business class. Além da extensão no assento, é bom dizer, a estrutura das poltronas é projetada para acomodar pessoas deitadas na posição transversal - quem já experimentou dormir assim nos assentos comuns sabe que o metal das laterais, depois de um certo tempo, começa a incomodar as costas. O marketing da ANZ trabalha para alcançar dois tipos de público: famílias e casais. No caso dos primeiros, se três assentos desses foram adquiridos por um casal com uma criança, a noite de voo será gasta em uma cama de tamanho suficiente para que todos possam dormir com mais conforto até que quem está na executiva. Se for um casal apenas, melhor ainda, já que sobra espaço para relaxar o corpo nessa espécie de “compartimento”. O detalhe importante é que, para as duas situações, a companhia aérea oferece o terceiro assento pela metade do preço dos outros.

É claro que algumas empresas, cujos voos transcontinentais partindo ou chegando do Brasil possuem alta taxa de ocupação, podem torcer o nariz para a perda de receita. Mas há algumas conpensações que podem ser levadas em conta. A adoção de Skycouches faria com que assentos ficassem vagos mas fossem remunerados, aliviando o peso geral ainda que minimanente e abrindo mais espaço para as cargas pagas no porão - onde a rentabilidade é bem maior que na cabine de passageiros.

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